sexta-feira, 12 de agosto de 2011

"sambar é chorar de alegria"


Desisti de entender. Larguei qualquer possibilidade de simbolismo. Era isso, afinal, que me prendia a uma verdade morta. Explicações que a vida nem ninguém são capazes de dar. Porque o que existe é a realidade e o que está feito está feito e o que é o é, simplesmente. Podemos observar, ter como consolo a postura de juízes da situação ou de eternos injustiçados: ó vida cruel! No entanto, se esbarra novamente no não entender o porquê de partidas, tampouco das chegadas e comportamentos que a imprevisível vida faz. Por isso, desisti de entender. Opto por viver e ver que o "Rio de Janeiro continua lindo", que o pão de queijo de Minas é mesmo o melhor, que Sampa continua ali ensinando que a vida não para. Opto pela minha vida que recém começa como minha mesmo. Minha autonomia verdadeira está prestes a iniciar. E não, não vou ficar como uma menina resmungona e chorona esperando toda essa vida passar. Assumo a mulher que me tornei. Essa vida é toda minha, toda bela, toda cheia de desentendimentos e encontros verdadeiros. Amo imperfeição e assimetria por isso: permite o impagável preço da revolução e de descobrir um bom samba de Noel.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

é de coragem o viver


Minha vida não foi feita de luzes e aplausos. Não sei ser do palco. E se porventura é palco isso que chamamos de vida, meu palco é em silêncio. Não quero ser aprovada ou reprovada, ter aplausos ou vaias. Acho que minha emoção já superou isso de forma madura. Quero exercer meu ofício em paz. Quero descobrir um bocado de outros deles. Quero que se amplie o dom de amar. Quero ver cada amigo meu sorrindo e tendo a vida que eles escolheram. Estarei ali junto para, sim, silenciosamente, comemorar as conquistas e chorar junto as derrotas. Quero estar junto de meus pais, e poder ver cada cabelo branco se transformar em serenidade e sabedoria. Sabedoria que o exemplo faz. Que a simplicidade faz. Quero escutar o mundo do meu afilhado e sua criatividade que não finda. Quero misericórdia de Deus a respeito de meu passado e entregar-me à Providência divina com relação ao meu futuro. Desejo, sim, ser aconchego e ternura, fortaleza e paciência. É preciso caminhar muito, sei. Mas tenho disposição. Tenho amor e pessoas que posso realmente confiar. Isso é dádiva, presente direto de Deus. Amo todos os cheiros que sinto nessa casa. Do café passado na hora à lenha que se desmancha no fogão. Uma vida que não foi feita de pressas. Uma sopa de capelleti com vinho, uma risada gostosa do tio com chimarrão. Um vento de frio, incapaz de gelar nossos corações. Obrigada família e amigos por cada um de vocês estarem aqui, do lado de dentro, do lado mais forte. Meu silêncio é quase uma vaidade. Escrevo, arrisco linhas, mas ainda não sei expressar o essencial.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

um gato. uma estrela. um afilhado. uma família. uma casa. uma cidade. um bocado de sonhos. um bolo. uma bicicleta. um jardim. uma profissão. um Deus. uma paz. uma roseira. um sorriso. um anel. uma alegria. uma vida. uma árvore. uma multiplicação.

terça-feira, 19 de julho de 2011

"nossos corações têm de ter coragem para a troca da guarda"

domingo, 10 de julho de 2011

"Vai, Vai, Vai..."


Um final de semana intenso no que se refere a ver amigos e amigas. Agradeço por cada um estar na minha vida e tornar ela melhor e mais feliz. Minha história é tão bonita e tão povoada de pessoas que quero bem. Tenho alegria de ter nascido na minha família, de ter aprendido a amar e ser independente e buscar minha autonomia. Viver de mentiras e fugindo das aspirações verdadeiras do coração é muito triste. É escolher a tristeza como opção e estilo de vida. Portanto, me sinto feliz, porque estou viva de verdade, buscando meus objetivos e não economizando alma. Posso ter tido momentos de desencanto, de erros, de tropeços, mas, não, nada até aqui foi mentira, faço da minha vida florescimento permanente daquilo que meu coração quer. Que venham os verões da vida, o resolvimento, a paz, o amor, a serenidade. Minha escolha é ser feliz. Viver, amar, partir, crescer, cultivar, multiplicar. Sim, pois é, a vida me diz: sim! e sorri.

terça-feira, 28 de junho de 2011


é do caos que nascem esperanças, de esperanças vivem as flores e flores têm seu tempo certo de florescer. não espero respostas, espero serenidade e paz, o canto novo, as novas fases, trabalho, construção. encontrar sentido no caos. sei que os alicerces são profundos, estou construindo a casa. daqui consigo ver as grandes janelas e maneira dela funcionar. o jardim é bonito, amplo, cheio de flores. tem verde, tem grama, tem sol. e o verde e a grama e o sol indicam cheiro de liberdade, assim como a fonte de água pura que nasce do meio das pedras. é do caos,sim, que nascem as novas formas da casa. é do caos, do desencontro, do tempo, das dificuldades que vida realmente se transforma e se manifesta.

domingo, 26 de junho de 2011

Obrigada!


Dedico essa postagem ao meu querido Pe. Atalíbio Schneider, que faleceu no dia de ontem. Se por aqui fica a dor da perda de uma pessoa especial, amiga, querida, simples e cheia de Deus como ele, algo é fato: os céus estão em festa. Obrigada, querido padre e amigo, por cada palavra e olhar, tua humildade, sabedoria e conselhos estarão para sempre guardadas em meu coração. Quem o conheceu sabe que esse mundo aqui perdeu uma pessoa santa. Vai com Deus, querido amigo, descansa em paz. Sim, Deus nos proporcionou um pouco de céu aqui na Terra, agora é hora, Pe. Atalíbio, de voltar para tua verdadeira casa. E não, meu amigo querido, como me disseste há poucos dias, não vou me perder. Amém.




"O que é um santo? Um santo é alguém que conseguiu realizar uma remota possibilidade humana. É impossível dizer qual é essa possibilidade. Eu acho que tem algo a ver com a energia do amor. O contato com essa energia resulta no exercício de um tipo de balanço dentro do caos de nossa existência. Um santo não resolve esse caos; se pudesse o mundo teria mudado há muito tempo. Não acredito que um santo dissolva o caos nem para si mesmo, pois há algo arrogante e tipicamente guerreiro na concepção de um homem colocando ordem no universo. Sua gloria é um tipo de equilíbrio. Ele desliza à deriva como um ski solto. Seu curso é a carícia do morro. Sua marca é o acúmulo de neve naquele momento específico, arranjado pelo vento e a pedra. Algo no seu interior ama o mundo de tal maneira que ele se entrega para as leis da gravidade e o acaso. Longe de voar com os anjos, ele traça com a fidelidade de uma agulha de um sismógrafo, o estado da sólida paisagem. Seu lar é perigoso e finito, mas ele esta à vontade no mundo. Ele consegue amar as formas das coisas humanas, as formas finas e tortas do coração. É bom ter entre nós tais homens, tais monstros equilibradores do amor."

LEONARD COHEN

sexta-feira, 24 de junho de 2011

a estrada é mais doce e menos áspera quando temos alguém para contar

quarta-feira, 22 de junho de 2011

"...eis que faço novas todas as coisas..."


e se disser que estou com medo? medo de criar uma esperança nova e me perder nessas criações. reinvento a vida e a rotina, mesmo sem querer. quero perder essa necessidade de entendimento das coisas. quero que pare de doer. meu fascínio por feridas cirúrgicas e seus processos de reparo limita-se quando chega no meu interior. a dor sinaliza que se deve fazer. estou um tanto cansada, sim. tempo e sua capacidade infindável de curar as coisas: anda, por favor.

segunda-feira, 20 de junho de 2011


Que Deus dê, sim, misericórdia ao meu coração, paz para minhas aflições e serenidade para minha alma. E como o senhor me disseste, querido padre e amigo: não, eu não vou me perder. Tudo é providência divina. Amém!

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Não consigo amar coisas frias, àquelas capazes de congelar os ossos. Nasci de intensidade e para intensidade. Meu amor se faz na fogueira de São João, na lenha da lareira, na brasa do fogão a lenha. Ainda que queime, estou viva.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Poderia costurar de forma incansável, mas esqueci.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

As fotos desbotadas e os crochês amarelados mostram-me, com cruel clareza, que necessário é prosseguir.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

O Pablo: sim, ele sorri com os olhos :)


"Sorria com os olhos". Sim, essa foi a melhor descrição do meu irmão: uma pessoa que sorri com os olhos. Talvez por isso ele seja tão querido e amado por todos nós. Ele transparece no olhar essa capacidade de ver o mundo com ternura, com uma doçura rara, ainda que por vezes possa parecer "ranzinza". Só a presença dele basta. Existem pessoas na vida da gente que são assim. O Pablo, Pablinho, Mano, Gordinho, Mimous é dessa forma na minha vida. Meu único irmão de sangue, o laço eterno com meu passado e minha história. Te amo muito, mano, e quanto ao lado de cá tem uma mana sempre rezando pela tua felicidade e pelos belos sorrisos que teus olhos são.

domingo, 12 de setembro de 2010

Coragem

Um lugar com cheiro de aconchego, um cheiro com lugar na memória. "Ninguém é lugar de repouso(?)", li certa vez. No entanto, encontramos tantas pessoas que arrancam pedaços de nós que é tão bom encontrar aquelas que devolvem eles. Que nos fazem acreditar no nosso potencial de vida e de amor. Guillaumet talvez tenha feito isso sozinho; ele sabia, porém, seu lugar de repouso: havia alguém esperando por ele, porque fez dele também essa forma de morada. Às vezes se precisa, sim, de um coração aberto e de exaustão para se chegar à verdadeira paz e ao verdadeiro encontro. Ando tão cheia de dúvidas. Em cacos, sim. Por estar cansada, por estar lutando há tanto tempo para poder ser eu. Se não esfarelei ainda é porque encontrei essas pessoas que fizeram um pouco de si mesmas meu lugar de repouso e devolveram o que havia perdido. É preciso coragem para trabalhar as fragilidades e extrair delas alavancas para alcançar a vida que Deus reservou ao ver nosso esforço."Orai e vigiai". "Vencerás pela ciência", mas também pela metodologia que abriu mares e levou tantos até a "terceira margem do rio": fé.

domingo, 5 de setembro de 2010

Incrível a capacidade tradutora da arte. Não entendo nada do que sinto e escuto uma música que, sem esperar!, diz exatamente tudo aquilo minhas palavras não chegavam. Não sei e leio um livro com uma parte que fala exatamente do que sei. Ninguém imita ninguém. Arte existe para mostrar que somos vivos e mesmo mortos ou anestesiados podemos ter a capacidade indizível da felicidade escondida. Da surpresa por surpresa. Sim, quanto ao lado de cá é imensa felicidade descobrir uma música ou um livro que me abra portas. Arte tem seus segredos, seus caminhos escondidos, talvez sua sobrevida seja mesmo os subterrâneos, sua forma de nunca estar pronta e nunca se dar por acabada. Eterna insatisfeita. Eterna imperfeição. E dessa imperfeição une-se linhas, cores, sons, cheiros, palavras. Estou distraída. Daí vejo luz. E não, vida não imita arte, arte não imita vida. Essencial não aceita clichês; e não por vaidade, mas porque a vida é inesperada mesmo e tem uma lógica toda dela. O que existe é o que é. E só.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010


Dirias qualquer coisa de estrelas, eu de aço. Sonho por sonho sedimentado em alicerce profundo. Talvez por isso a terra da neblina não seja a minha agora. O aço que sedimenta meus sonhos está aqui. Não desfaço tuas estrelas, nunca. Preciso delas e sempre. Porque preciso ter o tempo da delicadeza. No entanto o aço que me faz permite que eu toque o Infinito. Suponho que minha felicidade esteja, sim, presa, no sorriso sincero semelhante ao que vi na paciente hoje; no uai acompanhado de olhos tímidos que abaixam com humildade; no saber que em Batatais tem Portinari na Igreja matriz e que há pessoas juntas querendo devolver um pouco de vida para os que têm ela privada. Devolver sorrisos, esculpir novas formas, deixar o cansaço e o suor como detalhes diante do amor ao que se faz, ou se pretende fazer. Não é para entender, sei, é para agradecer, agradecer cada centímetro do que aprendo nesses dias. Aprendo com cada sorriso e olhar uma nova forma de ser e de continuar acreditando no milagre da vida. Estou sendo desafiada a lutar pelo que também vou ser. Obrigada meus grandes amores(pai, mano, mãe) por sempre estarem ao meu lado, me dando a mão para ter coragem de enfrentar o mundo sozinha. Obrigada aos meus amigos verdadeiros por serem minha alegria e lugar de conforto. Obrigada a Deus por ter permitido que eu encontrasse meu coração nesse sonho de aço. Peço a todos que puderem que rezem por mim. Estou aqui, como aprendi com meu pai, gastando meu terço, tecendo meus dias; passando meu primeiro dia dos pais, porém, longe do meu pai, mas com a alegria de quem encontrou a flor mais rara do jardim. Obrigada, Deus, por tudo sempre. A cada dia me supero mais um pouco graças ao Teu amor. Vejo, com alegria, que a academia e a boa formação também podem chegar ao amor descendente - diferente do que Nowen dizia, belamente e com grande clareza - posso dizer que hoje vi esse tipo de amor na academia, e, sim, no mais alto grau de status acadêmico, resumido na frase de São Francisco na sala de espera dos pacientes: fazei de mim um instrumento de Tua paz.


Ribeirão Preto, texto escrito durante meu estágio na especialização em CTBMF da FORP-USP

terça-feira, 20 de julho de 2010

qual motivo de nossas incoerências?

domingo, 18 de julho de 2010

Aleluia


Pesa a idéia de que isso me leve a uma zona de conforto e ao isolamento. Às vezes acho que não sei dar nem receber carinho. Por vezes penso que me tornei pedra; nada entra, nada sai. Sinto raiva, sim, das pessoas e das suas relações. Incomoda o afeto banalizado. Hoje nos conhecemos e nos beijamos, trocamos tolas confidências e amanhã não é mais. Outro dia, vez de outra pessoa a cercear uma carência que não se supre e quase coletiva. Vou eu indo sem entender essa intimidade que não é intimidade. Vou eu talvez com minhas rugas na alma. Vou, tentando encontrar uma harmonia de ser. Sem saber como ser sexy, tampouco como conquistar o homem que amo. Vou tentando aprender tantas coisas. Sem saber. Tendo, somente.
É com imenso alívio que chego à Aleluia. Por tanto tempo escondida em um fardo meu, mas que não era eu. A idéia de limpeza não me soaria sincera, mas é como se eu estivesse esfregando com palha de aço e sabão o metal já gasto pela vida e machucasse minhas mãos para chegar ao brilho puro, brilho inocente, brilho que o amor traz à a alma. Como uma tal Aleluia.
Falas de cores que não conheço, te dou um amor que não podes sentir. Vestes de adornos tuas palavras e mostras a vida com suavidade gentil. Eu, aqui eu, retiro os excessos e me ponho em uma delicadeza rugosa, escondida em humildade vestida em vestidos coloridos e que não pesam.
É preciso que saibas, meu bem, que não me basto, mas me completo. E por mais agradável que me seja a troca com teu olhar, é o meu olhar nutrido de esperanças que me faz continuar. Satélites não alcançam minha alma e velocidade rápida da internet não me faz menos impaciente. Os postes iluminados sugerem vida. No entanto, é o sol de domingo que me faz acordar bem disposta. Desde de que aprendi a perceber - e isso me foi muito cedo - iniciei, também, o árduo trabalho de lidar com sentimentos altamente adversos e com a possibilidade de desertos e desencontros da vida adulta.
Estou tentando, juro, fazer um acordo muito bom comigo: não me exigir demais e viver mais a vida. Essa clareza de contrato devo à minha psiquiatra. Alguém ou algo(porque preciso pôr um sujeito) roubou meu cerne e tentou roubar meu norte, me deixou assim com um corpo dolorido e quase apático. Sujeito impiedoso e desalmado, precisa roubar o brilho alheio para achar que um dia vai ser luz. Bom fosse. Mas ele só vai ser luz quando for sujeito dele mesmo.
Ando por essa cidade antiga e vejo tantas belas e grandes portas. Vou um dia sair por aí, com imensa Aleluia, fotografando essas portas para fazer um mosaico de portas em forma de lembrança. E, sim, Pelotas e meus ombros cansados de hoje se tornarão apenas mais um quadro em uma parede qualquer. Talvez rude; eu diria diferente, entretanto. Diria que minha mais pura delicadeza não serve para comover tua forma de ver a vida. Não, isso não é duelo. É mentira. Semelhante a um Amém.

sábado, 10 de julho de 2010


Estou procurando uma porta entreaberta, um muro menos alto, uma estrada menos íngreme. Procuro dentro de meu próprio coração a esperança. Tocar a leveza e a calma. Fazer delas realidade.

domingo, 4 de julho de 2010


Interessante de conviver bem com a solidão é o nível de independência que se chega. Com um irmão 6 anos mais velho que eu, cresci brincando sozinha até entrar na escola. Até tinha alguns amigos na rua, o problema é que minha mãe só deixava eu brincar na rua quando ela ou meu pai pudessem estar cuidando. Afinal, era pequena demais para me cuidar sozinha. Como eles trabalhavam no meu horário de brincar, dentro de casa criei um mundo todo meu. Esconderijos, barracas, castelos, montanhas de cobertor, fantasmas escodidos atrás do sofá, creche para as bonecas, crença de que a Xuxa viria me visitar - ela, dizia, afinal: amanhã eu estarei aí na sua casa com você-, mas nunca veio, é claro. Fui tecendo com minha imaginação. Ficava observando formigas e joaninhas e tentando entender como elas viviam e como uma formiga daquele tamanho carregava uma folha muito maior que ela. Inventava o porquê de o céu ser azul. Cuidava para dar a mamadeira na hora correta para minhas bonecas e trocar as suas fraldas quando lembrava. Pintava árvores com os dedos, desenhava. Sentia tédio, sentia solidão. Desses sentimentos, que não entendia, mas sentia, nasceu a necessidade de escrever. Queria escrever, queria saber o que aquelas letras diziam e o que elas juntas faziam. Meu desejo era saber aquilo ali também. Lembro da necessidade intrínseca de tentar compreender o porquê de as pessoas terem de escrever e ler e criar aquele mundo paralelo e que as crianças pequenas não entendem nada. Achava que deveria ser algo perigoso. Porque se não fosse algo perigoso as crianças pequenas também fariam parte daquilo ali. Certo dia aprendi a delinear o perigo. Reconheci a corda de aço que une dois imensos edifícios. Caminho nela desde então. Talvez tenha me tornado responsável cedo demais. Sinto que o chão sempre me foge.

domingo, 13 de junho de 2010

Depois de abandonar meu querido blog, cá estou, modernizando ele. É, estou, mas não tenho nada para dizer. Numa fase na minha e com vontade de aproveitar a leveza e o bom da vida. Se eu conseguisse escrever agora sobre que preciso escreveria sobre cheiros. Cheiro de vento, de praia, de maresia, de gente, de sorrisos, de chá, de café passado e torrada. A capacidade de perceber pessoas e lugares é característica minha. Tenho a tendência de pegar as pessoas no ar, acender a luz de cara, ser rápido no que diz respeito as pessoas, olhei e "pimba", minha intuição raramente me engana. No entanto, não estou com disposição para escrever. Nem para pensar muito. Pensar cansa. E estou com preguiça. Essa época é de viver, de viver tudo e ser feliz, estar feliz, estar bem, querer bem. O resto todo não sei, não faço idéia e não estou querendo saber, minha ocupação agora é com minha felicidade.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Estou livremente presa a uma rotina. Meus órgãos têm existido com harmonia e minhas células também. Se erro: que seja por excesso, não quero ver vida passando, estou dentro dela com toda disposição que tenho, com todo meu amor. Sorrio e agradeço, é luxo ter a vida que tenho, sei.

sábado, 1 de maio de 2010

outono

aprender
deixar
morrer

aí, sim:
nascer

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Confissão(Nei Lisboa)


Páginas ao vento em confissão
Luas de setembro, céus em minhas mãos
Nuvens em assombro e procissão
Luas que me lembram noites que virão
Abre-se a razão sobre a razão de ser
Como no instante de te ver
E eu vejo a vida vindo ao meu encontro
E vejo agora o que amanhã chegar
Eu tenho os olhos sobre o teu encanto
E tudo a desvendar
Os quatro cantos desse mundo
Eu tenho a febre feita de alcançar
E tenho a força bruta das palavras
Ditas para amar

Mágicos inventos de verão
Luz e movimento, tempo em prontidão
Chamas de um incêndio e mansidão
Noites que amanhecem dias que virão
Abre-se o clarão sobre a razão de ser
Como um milagre a percorrer
E eu tenho o sol guiando meu caminho
E tenho as senhas pra te conquistar
Eu tenho o norte sob o fio da espada
E cada dia a me esperar
Nos quatro cantos desse mundo
E tantos quantos tenha de alcançar
Eu tenho a sorte de viver cantando
E o céu a me ajudar

sexta-feira, 23 de abril de 2010

O Segredo: "Poema em linha reta", por favor!

Confesso que a vida estilo comercial de margarina me irrita profundamente. Irrita pelo fato de se tentar sustentar um padrão de felicidade que não existe. Sim, um tempo que exige uma felicidade a qualquer custo e de qualquer maneira. ( E eu peço à vida, não me empurre para isso). Cria-se, assim, a mentira da felicidade. Pessoas cada vez mais desumanas e mesquinhas. Desumanas por justamente isso: esquecer que se é humano e que não se é feliz o tempo todo, que a vida pode doer, que se pode acordar de mau humor e que não é preciso ser simpático sempre: que a gente ERRA. Ufa, o desumano talvez seja um defeito. Isso, ainda bem, erramos. Pisamos na bola, esquecemos a data, esquecemos de passar o fio dental. Criamos um padrão perfeição, e exigimos isso de nossas relações, de nossos corpos, de nossas casas, de nossos sentimentos, de nossos dentes ultra-mega brancos. Vamos todos viver como na novela e no intervalo ficamos com o estilo comercial de margarina? Cansa. Por favor, pessoas no mundo, apareçam. Deixa eu ver que o nariz é inclinado para esquerda, que sua camiseta do domingo tem um furo e me mostre uma fragilidade. E ah: deixa a criança chorar, chorar até perder o fôlego, se necessário. Porque talvez, assim, ela crie autonomia de caminhar e pensar sozinha. E quem sabe aí, justamente aí, ela ache sua forma verdadeira e espontânea de ser feliz.














obs.: querida orientadora Taele, depois da última conversa, em especial, obrigada!
acorde, por favor, desse estado anestesiado. delicadeza se escondeu. a vida é tão mais, que esqueço. o vento de outono limpa todos os cantos da alma; é como se depois dele não fosse mais a mesma.

segunda-feira, 19 de abril de 2010


"cult-chic"
é ser impessoal.
por isso,
juro:
nada pessoal.
sou
personagens
até os ossos.

desmemória


preciso passar pelos desertos sozinha - sei, ainda falo do se perder. não foram poucos até aqui. tento não pensar e não me apegar, mas em momentos como esse é necessário o choque do que sou. do ser humano que sou e que construí, tantas vezes em cacos. venci e venço as células que se encontram em lugar errado. caminhei em vales escuros, senti na pele vulcões cuspindo lava sobre meu corpo, atravessei florestas desconhecidas, senti no meu sangue a possibilidade de o gelo parar meu coração. a vida, muitas vezes, é pesado fardo. mas daqui e de todo tormento nasce a alegria em seu estado mais puro. talvez a pureza seja exatamente isso: alegria da desmemória. tudo é encanto. tudo pode ser recomeço. em uma alma que se escondeu no pouco se impressionar foi construída uma pequena porta, onde só os de alma leve e simples entendem e podem chegar: uma porta onde há um espaço indizível. lá pureza, alegria, encanto e desmemória habitam em harmonia. não serias tu, meu bem, nem ninguém, apesar de todo bem que meu coração queria te dar, que iria banalizar todos meus batimentos cardíacos, fadigas musculares, dores viscerais, respiração, movimentos, silêncios, alma, espírito dos meus dias. toda essa humanidade se reflete na capacidade de sentir e tocar o tecido da vida. disso nasce, também, angústia e tristeza. e me alegra saber que não sou egoísta como pensava, porque me permiti ser vulnerável a um ser humano. hoje chove, chove e me encontro nua no meio da chuva. não consigo ver nada além da chuva que toma conta das ruas e molha meu corpo sem piedade. desprender desse estou. nasci de uma coragem. meus desertos são hinos de gratidão em meu peito. chegar até aqui é benção e chegar ao conhecimento de minhas fraquezas e limites é bálsamo. minha humildade e fragilidade são minhas maiores forças para chegar ao sétimo andar e ver daqui, protegida e amada, que a chuva não passa de chuva e que estar nua diante da vida não é motivo de vergonha; é ousadia dos que estão vivos e ,mais!, livres.

domingo, 18 de abril de 2010

estar nas profundezas, sonoridade, perfume e delicadeza de uma pedra rara e preciosa só é possível uma vez em um milhão. desculpem otimistas, mas é.

Quem sou eu

Minha foto
Pelotas/ Passo Fundo, Rio Grande do Sul, Brazil
o que não finda me interessa, o espaço me interessa, alma me interessa, calma. Eu não procurava uma amplidão: eu procuro uma amplidão!

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