Desisti de entender. Larguei qualquer possibilidade de simbolismo. Era isso, afinal, que me prendia a uma verdade morta. Explicações que a vida nem ninguém são capazes de dar. Porque o que existe é a realidade e o que está feito está feito e o que é o é, simplesmente. Podemos observar, ter como consolo a postura de juízes da situação ou de eternos injustiçados: ó vida cruel! No entanto, se esbarra novamente no não entender o porquê de partidas, tampouco das chegadas e comportamentos que a imprevisível vida faz. Por isso, desisti de entender. Opto por viver e ver que o "Rio de Janeiro continua lindo", que o pão de queijo de Minas é mesmo o melhor, que Sampa continua ali ensinando que a vida não para. Opto pela minha vida que recém começa como minha mesmo. Minha autonomia verdadeira está prestes a iniciar. E não, não vou ficar como uma menina resmungona e chorona esperando toda essa vida passar. Assumo a mulher que me tornei. Essa vida é toda minha, toda bela, toda cheia de desentendimentos e encontros verdadeiros. Amo imperfeição e assimetria por isso: permite o impagável preço da revolução e de descobrir um bom samba de Noel.

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