quinta-feira, 11 de agosto de 2011

é de coragem o viver


Minha vida não foi feita de luzes e aplausos. Não sei ser do palco. E se porventura é palco isso que chamamos de vida, meu palco é em silêncio. Não quero ser aprovada ou reprovada, ter aplausos ou vaias. Acho que minha emoção já superou isso de forma madura. Quero exercer meu ofício em paz. Quero descobrir um bocado de outros deles. Quero que se amplie o dom de amar. Quero ver cada amigo meu sorrindo e tendo a vida que eles escolheram. Estarei ali junto para, sim, silenciosamente, comemorar as conquistas e chorar junto as derrotas. Quero estar junto de meus pais, e poder ver cada cabelo branco se transformar em serenidade e sabedoria. Sabedoria que o exemplo faz. Que a simplicidade faz. Quero escutar o mundo do meu afilhado e sua criatividade que não finda. Quero misericórdia de Deus a respeito de meu passado e entregar-me à Providência divina com relação ao meu futuro. Desejo, sim, ser aconchego e ternura, fortaleza e paciência. É preciso caminhar muito, sei. Mas tenho disposição. Tenho amor e pessoas que posso realmente confiar. Isso é dádiva, presente direto de Deus. Amo todos os cheiros que sinto nessa casa. Do café passado na hora à lenha que se desmancha no fogão. Uma vida que não foi feita de pressas. Uma sopa de capelleti com vinho, uma risada gostosa do tio com chimarrão. Um vento de frio, incapaz de gelar nossos corações. Obrigada família e amigos por cada um de vocês estarem aqui, do lado de dentro, do lado mais forte. Meu silêncio é quase uma vaidade. Escrevo, arrisco linhas, mas ainda não sei expressar o essencial.

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Pelotas/ Passo Fundo, Rio Grande do Sul, Brazil
o que não finda me interessa, o espaço me interessa, alma me interessa, calma. Eu não procurava uma amplidão: eu procuro uma amplidão!

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